quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Evangelho Segundo o Espiritismo


BEM-AVENTURADOS OS QUE SÃO BRANDOS E PACÍFICOS


1. Bem-aventurados os que são brandos, porque possuirão a Terra. (S.MATEUS, cap. V, v. 4.)

2. Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus. (Id., v.9.)

3. Sabeis que foi dito aos antigos: Não matareis e quem quer que mate merecerá
condenação pelo juízo. - Eu, porém, vos digo que quem quer que se puser em cólera
contra seu irmão merecerá condenado no juízo; que aquele que disser a seu irmão:
Raca, merecerá condenado pelo conselho; e que aquele que lhe disser: És louco,
merecerá condenado ao fogo do inferno. (Id., vv. 21 e 22.)

4. Por estas máximas, Jesus faz da brandura, da moderação, da mansuetude, da
afabilidade e da paciência, uma lei. Condena, por conseguinte, a violência, a cólera e até toda
expressão descortês de que alguém possa usar para com seus semelhantes. Raca, entre os hebreus, era um termo desdenhoso que significava homem que não vale nada, e se pronunciava cuspindo e virando para o lado a cabeça. Vai mesmo mais longe, pois que ameaça com o fogo do inferno aquele que disser a seu irmão: És louco.

Evidente se torna que aqui, como em todas as circunstâncias, a intenção agrava ou
atenua a falta; mas, em que pode uma simples palavra revestir-se de tanta gravidade que
mereça tão severa reprovação? E que toda palavra ofensiva exprime um sentimento contrário
à lei do amor e da caridade que deve presidir às relações entre os homens e manter entre eles
a concórdia e a união; é que constitui um golpe desferido na benevolência recíproca e na
fraternidade que entretém o ódio e a animosidade; é' enfim, que, depois da humildade para
com Deus, a caridade para com o próximo é a lei primeira de todo cristão.

5. Mas, que queria Jesus dizer por estas palavras: "Bem-aventurados os que são
brandos, porque possuirão a Terra", tendo recomendado aos homens que renunciassem aos
bens deste mundo e havendo-lhes prometido os do céu?
Enquanto aguarda os bens do céu, tem o homem necessidade dos da Terra para viver.
Apenas, o que ele lhe recomenda é que não ligue a estes últimos mais importância do que aos
primeiros.
Por aquelas palavras quis dizer que até agora os bens da Terra são açambarcados pelos
violentos, em prejuízo dos que são brandos e pacíficos; que a estes falta muitas vezes o
necessário, ao passo que outros têm o supérfluo. Promete que justiça lhes será feita, assim na
Terra como no céu, porque serão chamados filhos de Deus. Quando a Humanidade se
submeter à lei de amor e de caridade, deixará de haver egoísmo; o fraco e o pacífico já não
serão explorados, nem esmagados pelo forte e pelo violento. Tal a condição da Terra, quando,
de acordo com a lei do progresso e a promessa de Jesus, se houver tornado mundo ditoso, por
efeito do afastamento dos maus.

A afabilidade e a doçura

6. A benevolência para com os seus semelhantes, fruto do amor ao próximo, produz a
afabilidade e a doçura, que lhe são as formas de manifestar-se. Entretanto, nem sempre há que
fiar nas aparências. A educação e a frequentação do mundo podem dar ao homem o verniz
dessas qualidades. Quantos há cuja fingida bonomia não passa de máscara para o exterior, de
uma roupagem cujo talhe primoroso dissimula as deformidades interiores! O mundo está
cheio dessas criaturas que têm nos lábios o sorriso e no coração o veneno; que aso brandas,
desde que nada as agaste, mas que mordem à menor contrariedade; cuja língua, de ouro
quando falam pela frente, se muda em dardo peçonhento, quando estão por detrás.
A essa classe também pertencem esses homens, de exterior benigno, que, tiranos
domésticos, fazem que suas famílias e seus subordinados lhes sofram o peso do orgulho e do
despotismo, como a quererem desforrar-se do constrangimento que, fora de casa, se impõem
a si mesmos. Não se atrevendo a usar de autoridade para com os estranhos, que os chamariam
à ordem, acham que pelo menos devem fazer-se temidos daqueles que lhes não podem
resistir. Envaidecem-se de poderem dizer: "Aqui mando e sou obedecido", sem lhes ocorrer
que poderiam acrescentar: "E sou detestado."
Não basta que dos lábios manem leite e mel. Se o coração de modo algum lhes está
associado, só há hipocrisia. Aquele cuja afabilidade e doçura não são fingidas nunca se
desmente: é o mesmo, tanto em sociedade, como na intimidade. Esse, ao demais, sabe que se,
pelas aparências, se consegue enganar os homens, a Deus ninguém engana. - Lázaro. (Paris,
1861.)

A paciência

7. A dor é uma bênção que Deus envia a seus eleitos; não vos aflijais, pois, quando
sofrerdes; antes, bendizei de Deus onipotente que, pela dor, neste mundo, vos marcou para a glória no céu.
Sede pacientes. A paciência também é uma caridade e deveis praticar a lei de caridade
ensinada pelo Cristo, enviado de Deus. A caridade que consiste na esmola dada aos pobres é a
mais fácil de todas. Outra há, porém, muito mais penosa e, conseguintemente, muito mais
meritória: a de perdoarmos aos que Deus colocou em nosso caminho para serem
instrumentos do nosso sofrer e para nos porem à prova a paciência.
A vida é difícil, bem o sei. Compõe-se de mil nadas, que são outras tantas picadas de
alfinetes, mas que acabam por ferir. Se, porém, atentarmos nos deveres que nos são impostos,
nas consolações e compensações que, por outro lado, recebemos, havemos de reconhecer que
são as bênçãos muito mais numerosas do que as dores. O fardo parece menos pesado, quando
se olha para o alto, do que quando se curva para a terra a fronte.
Coragem, amigos! Tendes no Cristo o vosso modelo. Mais sofreu ele do que qualquer
de vós e nada tinha de que se penitenciar, ao passo que vós tendes de expiar o vosso passado
e de vos fortalecer para o futuro. Sede, pois, pacientes, sede cristãos. Essa palavra resume
tudo. - Um Espírito amigo. (Havre, 1862.)
Obediência e resignação
8. A doutrina de Jesus ensina, em todos os seus pontos, a obediência e a resignação,
duas virtudes companheiras da doçura e muito ativas, se bem os homens erradamente as
confundam com a negação do sentimento e da vontade. A obediência é o consentimento da
razão; a resignação é o consentimento do coração, forças ativas ambas, porquanto carregam
o fardo das provações que a revolta insensata deixa cair. O pusilânime não pode ser
resignado, do mesmo modo que o orgulhoso e o egoísta não podem ser obedientes. Jesus foi a
encarnação dessas virtudes que a antigüidade material desprezava. Ele veio no momento em
que a sociedade romana perecia nos desfalecimentos da corrupção. Veio fazer que, no seio da Humanidade deprimida, brilhassem os triunfos do sacrifico e da renúncia carnal.
Cada época é marcada, assim, com o cunho da virtude ou do vício que a tem de salvar
ou perder. A virtude da vossa geração é a atividade intelectual; seu vicio é a indiferença
moral. Digo, apenas, atividade, porque o gênio se eleva de repente e descobre, por si só,
horizontes que a multidão somente mais tarde verá, enquanto que a atividade é a reunião dos
esforços de todos para atingir um fim menos brilhante, mas que prova a elevação intelectual
de uma época. Submetei-vos à impulsão que vimos dar aos vossos espíritos; obedecei à
grande lei do progresso, que é a palavra da vossa geração. Ai do espírito preguiçoso, ai
daquele que cerra o seu entendimento! Ai dele! porquanto nós, que somos os guias da
Humanidade em marcha, lhe aplicaremos o látego e lhe submeteremos a vontade rebelde, por
meio da dupla ação do freio e da espora. Toda resistência orgulhosa terá de, cedo ou tarde, ser
vencida. Bem-aventurados, no entanto, os que são brandos, pois prestarão dócil ouvido aos
ensinos. - Lázaro. (Paris, 1863.)

A cólera

9. O orgulho vos induz a julgar-vos mais do que sois; a não suportardes uma
comparação que vos possa rebaixar; a vos considerardes, ao contrário, tão acima dos vossos
irmãos, quer em espírito, quer em posição social, quer mesmo em vantagens pessoais, que o
menor paralelo vos irrita e aborrece. Que sucede então? - Entregais-vos à cólera.
Pesquisai a origem desses acessos de demência passageira que vos assemelham ao
bruto, fazendo-vos perder o sangue-frio e a razão; pesquisai e, quase sempre, deparareis com
o orgulho ferido. Que é o que vos faz repelir, coléricos, os mais ponderados conselhos, senão
o orgulho ferido por uma contradição? Até mesmo as impaciências, que se originam de
contrariedades muitas vezes pueris, decorrem da importância que cada um liga à sua
personalidade, diante da qual entende que todos se devem dobrar.

Em seu frenesi, o homem colérico a tudo se atira: à natureza bruta, aos objetos
inanimados, quebrando-os porque lhe não obedecem. Ah! se nesses momentos pudesse ele
observar-se a sangue-frio, ou teria medo de si próprio, ou bem ridículo se acharia! Imagine
ele por aí que impressão produzirá nos outros. Quando não fosse pelo respeito que deve a si
mesmo, cumpria-lhe esforçar-se por vencer um pendor que o torna objeto de piedade.
Se ponderasse que a cólera a nada remedeia, que lhe altera a saúde e compromete até a
vida, reconheceria ser ele próprio a sua primeira vítima. Mas, outra consideração, sobretudo,
devera contê-lo, a de que torna infelizes todos os que o cercam. Se tem coração, não lhe será
motivo de remorso fazer que sofram os entes a quem mais ama? E que pesar mortal se, num
acesso de fúria, praticasse um ato que houvesse de deplorar toda a sua vida!
Em suma, a cólera não exclui certas qualidades do coração, mas impede se faça muito
bem e pode levar à prática de muito mal. Isto deve bastar para induzir o homem a esforçar-se
pela dominar. O espírita, ao demais, é concitado a isso por outro motivo: o de que a cólera é
contrária à caridade e à humildade cristãs. - Um Espírito protetor. (Bordéus, 1863.)
10. Segundo a idéia falsíssima de que lhe não é possível reformar a sua própria
natureza, o homem se julga dispensado de empregar esforços para se corrigir dos defeitos em
que de boa-vontade se compraz, ou que exigiriam muita perseverança para serem extirpados.
E assim, por exemplo, que o indivíduo, propenso a encolerizar-se, quase sempre se desculpa
com o seu temperamento. Em vez de se confessar culpado, lança a culpa ao seu organismo,
acusando a Deus, dessa forma, de suas próprias faltas. É ainda uma conseqüência do orgulho
que se encontra de permeio a todas as suas imperfeições.
Indubitavelmente, temperamentos há que se prestam mais que outros a atos violentos,
como há músculos mais flexíveis que se prestam melhor aos atos de força. Não acrediteis, porém, que aí resida a causa primordial da cólera e persuadi-vos de que um Espírito pacífico, ainda que num corpo bilioso, será sempre pacífico, e que um Espírito violento, mesmo num corpo linfático, não
será brando; somente, a violência tomará outro caráter. Não dispondo de um organismo
próprio a lhe secundar a violência, a cólera tornar-se-á concentrada, enquanto no outro caso
será expansiva.

O corpo não dá cólera àquele que não na tem, do mesmo modo que não dá os outros
vícios. Todas as virtudes e todos os vícios são inerentes ao Espírito. A não ser assim, onde
estariam o mérito e a responsabilidade? O homem deformado não pode tornar-se direito,
porque o Espírito nisso não pode atuar; mas, pode modificar o que é do Espírito, quando o
quer com vontade firme. Não vos mostra a experiência, a vós espíritas, até onde é capaz de ir
o poder da vontade, pelas transformações verdadeiramente miraculosas que se operam sob as
vossas vistas? Compenetrai-vos, pois, de que o homem não se conserva vicioso, senão porque
quer permanecer vicioso; de que aquele que queira corrigir-se sempre o pode. De outro
modo, não existiria para o homem a lei do progresso. - Hahnemann. (Paris,1863)

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

NA PARTILHA DO BEM

Não te detenhas a reclamar, quando a oportunidade te faculta repartir.
*
Muitos estimarão a largueza da praça, deitando cáustico verbal sobre aqueles que se
elevaram à responsabilidade da evidência pública ou fabulando negativamente em torno
das ocorrências do dia, sem perceber que poderiam converter o próprio tempo em
amparo aos semelhantes.
Caminharás, porém, no dever de servir.
Compreenderás que uma hora vazia é valor depredado na edificação do bem coletivo,
tanto quanto o pão desperdiçado é furto indireto, à mesa daqueles irmãos que enfrentam
a ameaça da fome.
Reconhecerás que a obrigação de repartir é lei universal para todas as criaturas.
*
Reparte o sol os benefícios de suas forças, reparte a fonte os donativos de suas águas.
*
Divide igualmente os teus recursos, quaisquer que eles sejam, para multiplicar a
felicidade comum.
*
Concederás um raio de luz da tua fé a cada um daqueles que a descrença conserva na
noite do desânimo; transmitirás teus conhecimentos elevados aos companheiros que a
ignorância congrega na sombra; estenderás o talento da coragem aos que perderam a
esperança; partilharás teu dinheiro com as vítimas da penúria...
Farás mais ainda. Promoverás o teu enriquecimento moral na prática dos princípios
superiores que assimilas e aumentarás a tua prosperidade a fim de repartir o bem, cada
vez mais.
*
Não te voltes para trás, para enumerar as rosas do louvor ou os espinhos da ingratidão.
Ajuda e segue adiante, na certeza de que basta o privilégio de oferecer aos outros o
melhor do que és e o melhor do que fazes.
*
Muitos acusam ou se queixam.
Sê tu a voz que abençoa e a mão que auxilia.
E se alguém te reprova ou te não entende, serve mesmo assim, recordando que, adiante
de nós, caminha sempre o Infinito Amor d’Aquele que é a vida de nossas vidas e que se
oculta, incompreendido e silencioso, na sílaba única com que se nos apresenta sob o
nome de Deus


Emmanuel

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

ERROS DO AMOR



Antes os erros do amor que aparecem na vida,
Nunca ergas a voz.
Recorda, coração, se a pessoa acusada
Fosse qualquer de nós.
Quem poderá pesar as circunstâncias
De convivência, angústia e solidão!...
Quanta mudança chega de improviso
Por um “sim, por um não”!...
Entre afeto que sonha e dever que governa,
Quanto conflito surge e quanto anseio vêm!...
Quando a dor de ser só escurece o caminho
Ninguém pode prever as lágrimas de alguém...
Votos no esquecimento,afeições destruídas,
Ocultas aflições, desencantos fatais!...
Quanto chora quem sofre, ante golpe e abandono,
E quem bate ou despreza, às vezes, sofre mais.
Ante as faltas de amor, alma querida,
Não te dês à censura sempre vã,
Que o teu dia de amor incompreendido
Talvez chegue amanhã.
Problemas de quem ama, em luta e prova,
Sejam teus, sejam meus...
Quem os conhecerá,desde o princípio?...
Quem os verá?... Só Deus.

Maria Dolores 

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Pelos frutos

“Por seus frutos os conhecereis.” – Jesus. (Mateus, 7:16.)


Nem pelo tamanho;
nem pela configuração;
nem pelas ramagens;
nem pela imponência da copa;
nem pelos rebentos verdes;
nem pelas pontas ressequidas;
nem pelo aspecto brilhante;
nem pela apresentação desagradável;
nem pela vetustez do tronco;
nem pela fragilidade das folhas;
nem pela casca rústica ou delicada;
nem pelas flores perfumadas ou inodoras;
nem pelo aroma atraente;
nem pelas emanações repulsivas.
Árvore alguma será conhecida ou amada pelas aparências exteriores, mas sim pelos frutos, pela utilidade, pela produção.
Assim também nosso espírito em plena jornada...
Ninguém que se consagre realmente à verdade dará testemunho de nós pelo que parecemos, pela superficialidade de nossa vida, pela epiderme de nossas atitudes ou expressões individuais percebidas ou apreciadas de passagem, mas sim pela substância de nossa colaboração no progresso comum, pela importância de nosso concurso no bem geral.
– Pelos frutos os conhecereis” – disse o Mestre.
– “Pelas nossas ações seremos conhecidos” – repetiremos nós.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Aceita a correção

“E, na verdade, toda correção, no presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas, depois, produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela.” Paulo. (Hebreus, 12:11.)

A terra, sob a pressão do arado, rasga-se e dilacera-se; no entanto, a breve tempo, de suas leiras retificadas brotam flores e frutos deliciosos.
A árvore, em regime de poda, perde vastas reservas de seiva, desnutrindo-se e afeando-se; todavia, em semanas rápidas, cobre-se de nova robustez, habilitando-se à beleza e à fartura.
A água humilde abandona o aconchego da fonte, sofre os impositivos do movimento, alcança o grande rio e, depois, partilha a grandeza do mar.
Qual ocorre na esfera simples da Natureza, acontece no reino complexo da alma.
A corrigenda é sempre rude, desagradável, amargurosa; mas, naqueles que lhe aceitam a luz, resulta sempre em frutos abençoados de experiência, conhecimento, compreensão e justiça.
A terra, a árvore e a água suportam-na, através de constrangimento, mas o Homem, campeão da inteligência no Planeta, é livre para recebê-la e ambientá-la no próprio coração.
O problema da felicidade pessoal, por isso mesmo, nunca será resolvido pela fuga ao processo reparador.
Exterioriza-se a correção celeste em todos os ângulos da Terra.
Raros, contudo, lhe aceitam a bênção, porque semelhante dádiva, na maior parte das vezes, não chega envolvida em arminho e, quando levada aos lábios, não se assemelha a saboroso confeito. Surge, revestida de acúleos ou misturada de fel, à guisa de remédio curativo e salutar.
Não percas, portanto, a tua preciosa oportunidade de aperfeiçoamento.
A dor e o obstáculo, o trabalho e a luta são recursos de sublimação que nos compete aproveitar

Consegues ir?

“Vinde a mim – Jesus. (Mateus, 11:28.)

O crente escuta o apelo do Mestre, anotando abençoadas consolações. O doutrinador repete-o para comunicar vibrações de conforto espiritual aos ouvintes.
Todos ouvem as palavras do Cristo, as quais insistem para que a mente inquieta e o coração atormentado lhe procurem o regaço refrigerante...
Contudo, se é fácil ouvir e repetir o “vinde a mim” do Senhor, quão difícil é “ir para Ele”!
Aqui, as palavras do Mestre se derramam por vitalizante bálsamo, entretanto, os laços da conveniência imediatista são demasiado fortes; além, assinala-se o convite divino, entre promessas de renovação para a jornada redentora, todavia, o cárcere do desânimo isola o espírito, através de grades resistentes; acolá, o chamamento do Alto ameniza as penas da alma desiludida, mas é quase impraticável a libertação dos impedimentos constituídos por pessoas e coisas, situações e interesses individuais, aparentemente inadiáveis.
Jesus, o nosso Salvador, estende-nos os braços amoráveis e compassivos. Com ele, a vida enriquecer-se-á de valores imperecíveis e à sombra dos seus ensinamentos celestes seguiremos, pelo trabalho santificante, na direção da Pátria Universal...
Todos os crentes registram-lhe o apelo consolador, mas raros se revelam suficientemente valorosos na fé para lhe buscarem a companhia.
Em suma, é muito doce escutar o “vinde a mim...

Entretanto, para falar com verdade, já consegues ir?

Cada qual


“Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo.” – Paulo. (1ª Epístola aos Coríntios, 12:4.)


Em todos os lugares e posições, cada qual pode revelar qualidades divinas para a edificação de quantos com ele convivem.
Aprender e ensinar constituem tarefas de cada hora, para que colaboremos no engrandecimento do tesouro comum de sabedoria e de amor.
Quem administra, mais freqüentemente pode expressar a justiça e a magnanimidade.
Quem obedece, dispõe de recursos mais amplos para demonstrar o dever bem cumprido.
O rico, mais que os outros, pode multiplicar o trabalho e dividir as bênçãos.
O pobre, com mais largueza, pode amealhar a fortuna da esperança e da dignidade.
O forte, mais facilmente, pode ser generoso, a todo instante.
O fraco, sem maiores embaraços, pode mostrar-se humilde, em quaisquer ocasiões.
O sábio, com dilatados cabedais, pode ajudar a todos, renovando o pensamento geral para o bem.
O aprendiz, com oportunidades multiplicadas, pode distribuir sempre a riqueza da boa-vontade.
O são, comumente, pode projetar a caridade em todas as direções.
O doente, com mais segurança, pode plasmar as lições da paciência no ânimo geral.
Os dons diferem, a inteligência se caracteriza por diversos graus, o merecimento apresenta valores múltiplos, a capacidade é fruto do esforço de cada um, mas o Espírito Divino que sustenta as criaturas é substancialmente o mesmo.
Todos somos suscetíveis de realizar muito, na esfera de trabalho em que nos encontramos.
Repara a posição em que te situas e atende aos imperativos do Infinito Bem. Coloca a Vontade Divina acima de teus desejos, e a Vontade Divina te aproveitará.